Teoria da carga cognitiva (CLT)

O professor John Sweller, psicólogo educacional australiano, formulou a Teoria da Carga Cognitiva para melhorar a instrução e o ensino.

Seu trabalho fundamenta-se na organização da arquitetura cognitiva humana em duas características a partir de modelos preexistentes da ciência cognitiva e da biologia evolutiva.

Uma é a memória de trabalho. É o "local da consciência", a parte da memória onde todo o pensamento acontece. Ela tem capacidade limitada, restrita a um número entre quatro e sete "elementos de informação" por vez. É a razão pela qual pessoas ficam confusas ou sobrecarregadas: a memória de trabalho é um "gargalo" que não lida bem com excesso de elementos simultâneos.

A outra é a memória de longo prazo. Um depósito interno e "sem limites conhecidos". É a memória que fornece a base que permite o pensamento complexo. Aqui, precisamos lembrar de Flusser e como o homem constrói sentido a partir de um mundo apoiado em código. A mente constrói seu estoque de conhecimento por meio de três formas.

  • A memória episódica diz respeito a momentos da vida pautados no tempo e no espaço.
  • A memória semântica é abstrata, construída a partir dos rótulos e conexões.
  • A memória procedural é o mais próximo do que sistemas chamam de "automação", algoritmos mentais executados sem esforço.

Dá pra lembrar da distinção entre informação e narração para Byung-Chul Han: a segunda se encaminha para o longo prazo, com lastro semântico e episódico.

O ponto de encontro entre seu espaço mental de trabalho e a memória de longo prazo, seja ela episódica, semântica ou procedural, é o que torna o aprendizado eficiente. Aqui, temos o que Sweller define como carga cognitiva: é qualquer coisa que ocupe e atrapalhe a capacidade de trabalho.

Oliver Lovell, que escreveu sobre a aplicação das teorias de Swelller em sala de aula1, sintetiza:

Novatos precisam usar habilidades de pensamento. Especialistas usam seu conhecimento.

Como um novato não possui esquemas prévios na memória de longo prazo, ele faz malabarismos mentais a cada tarefa, acumulando carga cognitiva. O especialista já "processou" esse malabarismo antes, em esquemas que relacionam situações e ações. A mente reconhece padrões e o próximo passo flui.

Aprender é, para Lovell, aumentar o estoque de conhecimento na memória de longo prazo. "Quando algo é automatizado" na memória de longo prazo, ele passa a ocupar apenas um "espaço" na memória de trabalho, liberando capacidade para novos pensamentos".

E o que podemos aprender? Seja o que for, ela terá carga intrínseca. Ela é inevitável, "emana da natureza da informação a ser aprendida". Essa carga depende tanto da complexidade do tema quanto do conhecimento prévio do aprendiz.

Na visão pedagógica de Sweller, a carga intrínseca é inevitável. O que muda é a forma como a informação é apresentada. É a "espuma", o excesso. É o que "ocupa recursos da memória de trabalho que poderiam ser alocados para aumentar a carga intrínseca".

A soma das duas não pode exceder a capacidade da memória de trabalho. Para aumentar a aprendizagem, reduza a carga estranha e otimize a carga intrínseca.

É possível seguir a conversa sobre memória e carga cognitiva trazendo ainda a Lei de Tesler, uma das proposições psicológicas de Jon Yablonski; ou uma visão poética apoiada em Byung-Chul Han: equilibrar a carga estranha e valorizar a carga intrínseca é uma forma de devolver à informação em rede "o aroma do tempo".


  1. LOVELL, Oliver. Sweller's Cognitive Load Theory in Action. Melton, UK: John Catt Educational, 2020